Sindicalismo
Para Bohn Gass, Yeda quer "acabar com a raça" dos trabalhadores organizados
"Querem acabar com esta raça!", denunciou o vice-líder da bancada petista, deputado estadual Elvino Bohn Gass, referindo-se à medida da Secretaria Estadual de Educação, que suspendeu a liberação de dirigentes do CPERS para a atuação sindical, ordenando o retorno imediato destes servidores democraticamente eleitos pela categoria, as suas unidades de origem. A manifestação do parlamentar ocorreu durante audiência pública, promovida pelo Ministério Público Federal, na qual foram discutidas as tentativas de criminalização dos movimentos sociais e as soluções no sentido de garantir o respeito aos direitos humanos e fundamentais. "Está clara a disposição deste governo em combater iniciativas de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras que se organizam em sindicatos e movimentos sociais na busca de direitos. Isso não é admissível num país democrático", alerta o petista.
Ao todo, o CPERS/Sindicato é composto de 42 núcleos, sendo que cada um destes possui um dirigente liberado para atuação sindical. A dedicação à organização sindical é uma conquista que atravessou governos há mais de três décadas, fruto de acordo político entre governos e sucessivas direções do CPERS. "A própria secretária de Educação Mariza Abreu, a secretária adjunta e os assessores de gabinete já utilizaram desta liberação quando participaram de direções do sindicato", lembra.
Segundo o deputado, a medida estadual representa um retrocesso nas relações democráticas entre governo e trabalhadores da educação. Para ele, a quebra deste acordo interfere na organização sindical e na autonomia da categoria para escolher seus representantes. "A organização do CPERS por local de trabalho sempre foi fundamental não só na defesa da categoria, mas da qualidade da educação nas escolas gaúchas. É preciso que Yeda receba imediatamente a direção do sindicato para encaminhar a retomada da liberação destes dirigentes", acrescenta.
Para Bohn Gass, governos que cerceiam a manifestação de movimentos sociais e que tentam calar categorias como a de professores, são repressivos. "Ações antidemocráticas como estas serão sempre repudiadas por pessoas que, como eu, lutaram pela redemocratização deste país", conclui o petista.
A audiência pública aconteceu, na manhã de terça-feira (9/09), no Plenarinho da Assembléia Legislativa.
