Bohn Gass Informa - 105

Boletim do mandato do deputado Elvino Bohn Gass/PT Abril/2005 - Nº 105

Um petista preside a Comissão de AGRICULTURA DA ASSEMBLÉIA

O deputado Elvino Bohn Gass foi eleito presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa para o biênio 2005/2006. É a primeira vez que um deputado do PT asssume a Comissão.

Bohn Gass tomou posse na comissão em 10 de março e já realizou grandes encontros: o primeiro, para divulgar o PIB das Cadeias Produtivas da Agricultura Familiar do RS, contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. "A agricultura familiar, no RS, produz mais riqueza do que a agricultura patronal; é surpreendente", manifesta Bohn Gass. O segundo evento da Comissão foi uma audiência pública com participação do secretário estadual de Agricultura, Odacir Klein, quando Bohn Gass manifestou sua preocupação com o futuro dos programas que atendem a agricultura familiar. "O Troca-Troca vai sofrer modificações, mas isto não pode implicar menos recursos públicos. O RS Rural, pelo que disse o secretário, pode passar a ser intermediado pelo Banrisul mas o banco do Estado vem diminuindo os recursos para a agricultura familiar. O Seguro Agrícola, neste governo, caiu pela metade e o Mais Alimento foi olimpicamente ignorado. Por tudo isso é que manifestamos nosso te-mor pelo futuro destes programas no Governo Rigotto", relata o deputado. A terceira atividade da Comissão ocorreu na Câ-mara de Vereadores de Pelotas quando fo-ram amplamente debatidos os projetos do governo Rigotto de implantar duas empresas de celulose na Metade Sul. "Na verdade, o que teremos na Metade Sul é uma plantação de 100 mil hectares de um único cultivo, o eucalipto. Quem considera que esta será uma saída para diversificar a economia desta re-gião, deve também considerar que estamos diante de uma atividade que apresenta inúmeros riscos, sociais, ambientais e até mesmo financeiros," posiciona-se Bohn Gass. A Comissão de Agricultura, agora,prepara-se para o seminário de Economia Popular Solidária, no próximo dia 12 de maio, na Assembléia Legislativa e que terá como palestrante o economista Paul Sin-ger, Secretário Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho.


ESTUDO CIENTÍFICO PROVA: AGRICULTURA FAMILIAR GERA 27% DA RIQUEZA GAÚCHA

A agricultura familiar está na base de quase um terço de toda a riqueza produzida no RS. Estudo encomendado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário à Universidade de São Paulo concluiu que 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado é gerado pelo trabalho dos agricultores familiares. "Sempre tivemos consfamiliares. "Sempre tivemos consciência da importância social, cultural e econômica da agricultura familiar, mas ainda assim estes números nos impressionam porque provam, cientificamente, que os trabalhadores rurais produzem mais riqueza do que a chamada agricultura patronal", afirma Bohn Gass. Uma segunda, e também surpreendente, conclusão do estudo é de que a agricultura patronal responde por 23% do PIB, ou seja, tem participação 4% menor do que a familiar na produção da riqueza gaúcha.

O grande mérito do trabalho, para Bohn Gass, está no fato de que ele acaba com a idéia errônea de que a agricultura familiar é pequena, atrasada. "Os agricultores familiares não são uns coitadinhos que precisam de políticas compensatórias, mas ocupam uma papel importantíssimo na economia gaúcha. São muitos produzindo muito", defendeu. Para o parlamentar, as informações sistematizadas no estudo devem servir para que as entidades representativas do setor reforcem suas políticas e suas reivindicações. Conforme Bohn Gass, o trabalho comprova, também, o acerto das políticas que estão sendo executadas pelo governo federal de apoio e incentivo à agricultura familiar. "Aumentar o Pronaf de R$ 2,4 bilhões para R$ 7 bilhões, este ano, certamente vai auxiliar ao setor crescer ainda mais", avalia. Já o governo do estado, segundo o deputado, ainda precisa se convencer da necessidade de investir no setor. "O Executivo estadual precisa elevar os recursos investidos na agricultura familiar. Deve fazer a sua parte para auxiliar a economia gaúcha", concluiu.

"Os dados deste estudo nos mostram a enorme po-tencialidade de um modelo agrário mais democrático e demonstram o valor do trabalho das famílias que produzem no meio rural, além de fundamentar a ne-cessidade de políticas públicas que apóiem este setor da economia brasileira. A agricultura familiar é um segmento com grande capacidade de respostas econômicas, que gera renda, produz alimentos e distribui riqueza".
Miguel Rossetto, Ministro do Desenvolvimento Agrário

A força das pequenas lavouras

Entre outros dados, o estudo da USP revelou que a agricultura familiar responde por 97% da produção das lavouras de fumo, 74% do milho e 58% da soja produzida no estado. Na pecuária, os agricultores familiares produzem 89% do leite, 74% da aves e 71% dos suínos. Além disso, o setor é responsável por 99% do valor gerado pela indústria de laticínios, 71% da indústria do abate de aves e 70% da indústria do abate de suínos.


Tarifaço fez os gaúchos de bobo e passou a vigorar no Dia da Mentira

No significativo dia 1º de abril passou a vigorar no RS o tarifaço que o Governo Rigotto impôs aos gaúchos. O dia não poderia ser mais oportuno, afinal ao aumentar impostos Rigotto consagra o quase esquecido 1º de abril como o verdadeiro Dia dos Bobos ou, como preferem alguns, Dia da Mentira. Tanto faz. De bobos foram feitos todos os gaúchos que vão pagar mais caro pela energia elétrica, a gasolina e o telefone. E a mentira fica por conta da promessa de campanha de Rigotto de que não aumentaria impostos.
O tarifaço representa um aumento de 20% nas alíquotas de ICMS dos combustíveis, energia e telefonia. "É uma prova de que a atual administração é ineficaz e incompetente. Aumentos deste tipo visam somente resolver problemas imediatos do caixa do Estado, não representam uma solução estrutural para a crise das finanças públicas e irão castigar a sociedade", analisa Bohn Gass.


Junto com a elevação do imposto, o governo acabou, por decreto, com vantagens oferecidas aos produtores de carnes bovina, suína e de aves, de lã, do aço, da informática, do leite, do trigo, do pêssego, da maçã, da uva e do vinho. Todos estes produtos e seus derivados, a maioria com origem na agroindústria familiar, perderam o desconto que tinham para pagar menos impostos e também ficarão mais caros.

O setor exportador também não foi poupado. Rigotto editou um decreto que restringe a utilização dos créditos tributários pelas empresas exportadoras. A direta conseqüência da medida é a perda de competitividade das empresas gaúchas no mercado internacional, o que já está gerando desemprego. Exemplos: em Panambi, mil metalúrgicos foram demitidos; no Vale do Sinos, milhares de sapateiros já perderam o emprego e em Horizontina e Santa Rosa as demissões também já se contam aos milhares. Este estrago todo na economia gaúcha tem nome e endereço: Germano Rigotto, Palácio Piratini.
Na base de Rigotto há quem tente fazer o povo acreditar que o PT, quando foi governo, também tentou aumentar impostos. Ora, o PT propôs o PIC - Programa de Incentivo ao Crescimento que se constituía, basicamente, na redução de alíquotas para produtos de consumo popular, na criação de fundos no setor produtivo e na elevação de, no máximo dois pontos, das alíquotas de alguns setores. Como se vê, nada a ver com o escorchante tarifaço de Rigotto.


SEGURANÇA:

Blindagem da mídia protege Rigotto mas não impede avanço da barbárie

Os assassinatos (inclusive cometidos por policiais contra simples suspeitos) se contam às dezenas, policiais são mortos por assaltantes, crianças são vítimas de balas perdidas, os roubos são diários, o tráfico de drogas cresce, há uma onda de seqüestros-relâmpago e os salários policiais continuam uma miséria. A violência permanece um problema crônico no RS, não só na região metropolitana, mas em todo o interior. A diferença é que o governador e o secretário de Segurança são preservados de desgastes na mídia. É uma blindagem especial: noticiam-se os crimes mas não se fazem editoriais e manchetes denunciando o clima de terror, insegurança e pânico junto à população. Um exemplo? O número de laudos de assassinatos expedidos pelo Departamento Médico Legal (DML) em 2004 é 40% maior do que o divulgado oficialmente pela Secretaria Estadual de Segurança. Sim, o DML disse ter expedido 2.041 laudos de assassinatos em 2004 enquanto a Secretaria de Segurança divulgava que o número de crimes contra a vida era de 1.461 no mesmo período. Uma diferença de 580 cadáveres, informação que foi sonegada da opinião pública. Estas e outras provas de desgoverno total na segurança surgem a cada dia, mas o secretário José Otávio e o governador Rigotto continuam sendo poupados pela grande mídia.


RESUMO DA ÓPERA

Como mostra, com muita propriedade, uma reportagem do site Carta Maior "a blindagem protege, particularmente, o secretário José Otávio Germano (PP) que, na maior parte do tempo, se mantém longe das atenções da mídia. No governo anterior, o então secretário José Paulo Bisol era alvo de um bombardeio praticamente diário, em especial pelos veículos do Grupo RBS. O bombardeio partia também da Assembléia Legislativa, onde a oposição ao governo anterior - hoje na base do governo Rigotto - chegou a promover uma CPI da Segurança Pública para investigar as causas do "caos no setor", como se justificou na época. Hoje, o relator dessa CPI, o deputado estadual Vieira da Cunha (PDT), ostenta um silêncio tumular quando o assunto é segurança pública. Seus discursos inflamados cobrando providências urgentes do governo para conter a violência e proteger a população desapareceram quase que por completo. O mesmo vale para os outros parlamentares que fizeram da CPI da Segurança uma vitrine eleitoral. A vitrine cumpriu sua função: durante quase um ano fez o governo estadual sangrar. O relatório final da CPI acusou os principais integrantes do Executivo de envolvimento com o crime organizado, o jogo do bicho, a máfia da jogatina internacional e uma série de outros ilícitos. O deputado Vieira da Cunha teve seus dias de glória e de máxima exposição junto à opinião pública gaúcha. Todas as acusações foram arquivadas pelo Ministério Público, por falta de provas. As provas não apareceram. Pouco importava. Estava criado um ambiente propício para a campanha eleitoral, onde a segurança pública ocupou um lugar central. A propaganda de televisão do então candidato Germano Rigotto (PMDB) mostrava casas e lojas de Porto Alegre cercadas de grades, e prometia resgatar a "auto-estima" dos policiais civis e militares, além de garantir a segurança da população. Uma promessa até agora não cumprida, assim como tantas outras." A propósito, quem quiser ler notícias sem blindagem pode acessar o site www.agenciacartamaior.com.br


MAIS DA METADE DO QUE FOI INVESTIDO VEIO DE BRASÍLIA

Se não fosse o Governo Lula, a gestão da Segurança Pública do Estado seria um desastre ainda maior. Nos últimos dois anos o Governo Lula investiu R$ 52,2 milhões em segurança pública no RS. Somente em 2003, a União repassou R$ 20 milhões aos cofres gaúchos. Os recursos foram destinados à aquisição de 402 viaturas, 112 rádios-patrulha, 1.133 coletes a prova de balas, 1.352 armas de fogo, 2.223 pares de algemas e 221 computadores.


REFORMA AGRÁRIA - Índices mais justos

O Ministério do Desenvolvimento Agrário apresentou ao país uma proposta que ajusta os índices de produtividade das lavouras e da pecuária para efeito de vistoria dos fiscais do Incra. O ajuste desses índices está previsto na constituição mas nunca foi feito. Os índices atuais foram fixados em 1980 e com base no Censo Agropecuário de 1975 estando, portanto, absolutamente defasados. A proposta foi bem aceita pelos movimentos sociais do campo mas foi rechaçada pelos latifundiários.
"Quem produz não tem o que temer", diz o deputado Bohn Gass. No último dia 18 de abril, Bohn Gass apresentou os novos índices aos gaúchos em reunião extraordinária da Comissão de Agricultura.


Aos grandes, tudo; ao funcionalismo, MIGALHAS

A bancada do PT votou favorável ao reajuste de 10,33% para o funcionalismo estadual, a ser pago parcelado entre 2005 e 2006. No entanto, os petistas consideram insuficiente este aumento e criticam o aprofundamento das distorções salariais, patrocinado pelo governo Rigotto. A proposta do Executivo Estadual, a ser paga em conta-gotas, não passa de 10,33%, porém, a renúncia fiscal que beneficia grandes empresas como a Gerdau, atinge a estrondosa soma de R$ 2,3 bilhões. Por incrível que pareça, estas empresas ainda são dispensadas de gerar empregos e de promover investimentos. Além disso, o governo estadual restabeleceu o Refaz para beneficiar os sonegadores e, consequentemente, aumentou o rombo nos cofres públicos. Assim, só pode mesmo oferecer esta quantia pífia de reposição salarial. Nesta administração estadual, só os grandes têm vez. Somando os projetos de reajustes protocolados na Assembléia com os 28,8% concedidos em 2003, o Judiciário, o Ministério Público e os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado acumularão 40% de reajuste, entre 2003 e 2005. Para os servidores da Assembléia Legislativa e do TCE, o percentual de aumento será de 33%. Em contrapartida e no mesmo período, os servidores do Executivo terão um minguado reajuste de 7,1%, pois os 3% restantes só entrarão em vigor em 2006. Ao restante do funcionalismo restaram os empréstimos bancários para que pudessem receber o 13º salário. Esta é a política salarial de Rigotto.


ÁGUA NÃO É MERCADORIA

Os partidos que sustentam o governo Rigotto aprovaram, no final do ano passado, o projeto que autorizava o Estado a firmar Parcerias Público Privadas (PPPs), ou seja, o Estado foi autorizado a associar-se à empresas para realização de obras públicas. Por uma emenda da bancada do PT, as questões relacionadas à água foram excluídas das PPPs. No entanto, quando o projeto foi para a sanção no Poder Executivo, Rigotto decidiu vetar a emenda do PT. Assim, o projeto retornou à Assembléia Legislativa para que o veto do governador fosse apreciado. Como a maioria dos deputados sustenta o governo Rigotto, o veto foi mantido. "Na prática, a água foi encarada como mercadoria e poderá passar às mãos da iniciativa privada. Com o PMDB no governo então, o risco fica maior. Afinal, foi no governo de Britto e do PMDB que o patrimônio público gaúcho foi liquidado. Eu não esqueci," diz Bohn Gass.


Com Rigotto, SAúDE NÃO TEM REMÉDIO


Rigotto prometeu, na campanha eleitoral, construir um posto de saúde por quilômetro; não cumpriu; em fevereiro deste ano, jornais publicaram que 43% dos medicamentos estavam em falta nas farmácias do Estado; o ecretário da Saúde, Osmar Terra disse que a culpa era da morosidade da Central de Licitações do Estado; desculpa;

o site da FAMURS divulgou, recentemente, que o governo cortou mais 40% dos recursos orçados para o Programa Municipalização Solidária em 2004; foram suprimidos, portanto, mais de R$ 24 milhões deste programa;

nos orçamentos de 2003 e 2004, Rigotto deixou de aplicar um total de R$ 600 milhões na saúde; a continuar este ritmo, ao final de seu mandato terá sonegado nada menos do R$ 1,3 bi da saúde; o descaso com a saúde fez com que promotores federais e estaduais, unidos, abrissem um processo contra o governador; a Constituição termina que 12% da Receita Líquida de Impostos e Transferências seja aplicada na saúde mas com seus cortes, Rigotto descumpriu a lei; não é à toa, portanto, que as filas crescem e os hospitais estão em crise.



Para a maior das secas, a maior das verbas

Diante da maior seca das últimas décadas, o Governo Lula está fazendo a sua parte: já anunciou medidas que somam mais de R$ 1 bilhão e 200 milhões, a maior verba que um governo federal já destinou para socorrer agricultores prejudicados pela falta de chuva na história do RS. Mais: o governo Lula criou o Seguro Agrícola Nacional (que outros governos federais prometeram e não cumpriram) que deve trazer aos produtores gaúchos atingidos pela seca, pelo menos R$ 300 milhões. Bem ao contrário do que acontece no Estado onde o Seguro Agrícola que Rigotto tanto criticava na campanha por atender poucos produtores (eram cerca de 40 mil no Governo do PT), agora, passados dois anos de governo, só atende a metade. Rigotto, aliás, segue repetindo a ladainha da falta de verbas e passa a responsabilidade para o Governo Federal. Nem mesmo a proposta do Governo Lula de, além do R$ 1,2 bilhão já anunciados, criar ainda um Fundo de Emergência paritário (com valores iguais dos dois governos) comoveu Rigotto. Sem resposta do Estado e consciente de que alguns agricultores correm o risco de passar fome, Lula anunciou a sua parte: R$ 300,00 por família. Rigotto então, se mexeu: anunciou que vai dar R$ 150,00 por família. Uma afronta às necessidades dos agricultores como de resto todas as medidas tomadas pelo Estado para atender a seca. Em valores, estas medidas não passam de R$ 30 milhões. Só para comparar: na seca de 2000, que foi bem menor, o Governo Olívio liberou cerca de R$ 159 milhões aos produtores.


No dia 12 de março a Marcha Mundial de Mulheres passou pelo Estado reunindo mais de três mil pessoas em Porto Xavier. As mulheres marcham por igualdade, justiça, paz, solidariedade, liberdade e contra o neoliberalismo.


R$ 1 BILHÃO para as trabalhadoras rurais

O governo Lula vai desembolsar recursos de R$ 1 bilhão na safra 2004-2005 para que as mulheres agricultoras tenham acesso a crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A previsão é de que os recursos cheguem a R$ 1,2 bilhão na safra deste ano, contra R$ 568 milhões registrados como empréstimo para as agricultoras na safra 2003-2004.


Depois de fazer este anúncio, o presidente Lula reconheceu que os recursos ainda são pequenos diante da necessidade das mulheres agricultoras brasileiras. "Significa muito dinheiro em relação ao que era antes, mas possivelmente não seja tudo a que a mulher pode ter acesso para poder pegar esse dinheiro, dinamizar a agricultura familiar e gerar os postos de trabalhos que nós precisamos no Brasil", disse o presidente.


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