Artigo

 
Elvino Bohn Gass*

 

Há décadas adquiri a consciência da profunda dificuldade que moradores da Grande Santa, Rosa, Missões e Celeiro encontram quando chega o tempo de ingressar num curso superior. Uma pequena parte segue para municípios como Santa Maria e Porto Alegre na tentativa de obter uma vaga nas universidades federais que, por serem muito disputadas, acabam sendo ocupadas por aqueles que podem pagar caros cursinhos. Outra fatia, também reduzida, é daqueles trabalhadores que produzem um esforço enorme para pagar o alto preço das universidades privadas. Mas mesmos estes, quando conseguem chegar ao final do curso, dificilmente retornam para aplicar no desenvolvimento regional a qualificação que alcançaram.

O fato é que a imensa maioria resigna-se à dura realidade de que não terá direito a uma formação técnica sólida e à remuneração mais digna. Infelizmente, para quem nasce nestas regiões, a chance é quase nenhuma.

Pois este cenário começa, felizmente, a mudar. No último dia 16 de julho, estive em Brasília e testemunhei a assinatura do presidente Lula ao projeto de lei que cria a Universidade para a Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul ou, mais simplesmente, a Universidade Federal Fronteira do Sul cuja sigla que tende a se consolidar é UFFS.

Estavam lá muitos do que, como eu, fizeram da luta por esta universidade uma bandeira de vida. Olhos brilhavam, sorrisos se distribuíam, o clima era de conquista. Havia razão para isso. A criação da Universidade da Fronteira coroa o esforço de muitos e seu significado não se resume à oportunidade da vida que se abre para alguns estudantes cujos horizontes se descortina. A conquista é maior. Sim, porque uma universidade, vale lembrar, nunca chega sozinha, traz sempre muita vida consigo. São recursos que entram, empregos que se geram, trabalho que se qualifica, empresas que se aproximam, pessoas que se melhoram.

Num primeiro momento, a UFFS deve criar 30 novos cursos e atender cerca de dez mil estudantes de graduação, mestrado e doutorado. Os cursos devem abranger as áreas de tecnologia, agricutlura familiar, licenciatura e saúde popular e o que é melhor, terá quatro campi sendo dois no Rio Grande do Sul, um em Cerro Largo, outro em Erechim. Estamos falando de um investimento de R$ 194 milhões por ano.

Mais ainda: a UFFS representa a profissão de fé do governo federal no potencial de desenvolvimento de uma região que, do ponto de vista da educação, esteve desde sempre esquecida. A ironia é que foi preciso eleger um presidente que não tem diploma para que fôssemos lembrados.

* Deputado Estadual – PT/RS