Saúde Pública

Movimento conjunto entre municípios, parlamentares e lideranças pode evitar fechamento de hospitais de guarnição do Exército

Foto: Guerreiro

“Para que tenhamos êxito nesta luta, precisamos marchar unidos”, ressaltou o vereador Gilberto Corazza (PT), durante audiência da Comissão de Saúde e Meio Ambiente do Legislativo gaúcho, que discutiu a manutenção dos hospitais de Guarnição do Exército em Santo Ângelo, Uruguaiana e Cruz Alta, na manhã desta quarta-feira (18/11). O vereador referiu-se à necessidade de um movimento conjunto entre os três municípios para reverter as portarias 726, 727, 728 e 729 integrantes do Plano de Revitalização do Serviço de Saúde, adotado pelo Comando Geral do Exercito, que determinam a transformação dos hospitais em postos médicos já em 2010.
Segundo Corazza, a comunidade santo-angelense está em diálogo com  todos os segmentos, lideranças sindicais e comunitárias além dos Conselhos municipais e Regional de Saúde para reforçar ações junto ao governo federal em favor da continuidade dos serviços dos hospitais. “Estamos convictos de que é profundamente equivocada esta decisão do exército, que foi tomada de forma autoritária, sem ouvir a comunidade. Não estamos mais na ditadura”, criticou o vereador.
Para o líder da bancada petista, deputado estadual Elvino Bohn Gass (PT) que, juntamente com o proponente da audiência, deputado Adroaldo Loureiro (PDT) e o presidente da Comissão, deputado Gilmar Sossela (PDT), reforçou o pleito para que o tema fosse discutido no Legislativo, a mudança é inadmissível. “Vamos fazer todos os movimentos políticos necessários para que este desastre não se concretize. Posto Médico não substitui hospital”, inconformou-se.
 O coordenador do Sindicato dos Servidores Federais (Sindiserf), Marizar de Melo, entende que estão sendo desconsiderados os impactos social e financeiro do fechamento dos hospitais. “Não podemos transferir a responsabilidade dos serviços médicos ao setor público, que já está superlotado. Não vamos aceitar pacificamente a transformação destes hospitais em meros postos de saúde. Com o apoio dos deputados da região, levaremos esta luta até as últimas instâncias.”, frisou.
 De acordo com o prefeito de Santo Ângelo, Eduardo Loureiro (PDT), o fechamento das unidades desestrutura todo o sistema de atendimento de saúde na região. “É a contramão do que estamos projetando para a saúde pública no nosso município e na região como um todo. O Exército não pode tratar deste tema como se estivesse tratando do seu umbigo”, assinalou, lembrando que o contingente de pacientes do Hospital de Guarnição não poderá ser absorvido pelo Hospital Santo Ângelo.
 Nara Damian, da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde, informou que recentemente o Hospital de Guarnição de Santo Ângelo recebeu R$ 4 milhões em investimentos públicos. “Racionalizar é aproveitar os investimentos públicos que foram feitos nestes três hospitais, para torná-los ainda mais eficientes”, completou o vereador petista, reforçando a sugestão de que o Hospitais de Guarnição sejam mantidos e passem a atender um percentual de pacientes do SUS.
Participaram da audiência o comandante da 3º Região Militar do Rio Grande do Sul, general Odilson Sampaio Benzi; o presidente do Sindiserf, Marizar de Melo; o prefeito de Santo Ângelo, Eduardo Loureiro (PDT), os deputados Elvino Bohn Gass (PT), Adroaldo Loureiro (PDT), Gilmar Sossela (PDT); a representante da 2ª Coordenadoria Regional de Saúde, Nara Damian; e da Prefeitura de Cruz Alta, Rudimar Schneider, o vereador Gilberto Corazza (PT); entre outras representações.


Atendimentos - Atualmente, o hospital de Guarnição de Santo Ângelo atende a um público regional, ou seja, militares de Santa Rosa, São Luiz Gonzaga e São Miguel do Oeste, totalizando cerca de 1 mil consultas, cirurgias e internações. Em Uruguaiana, são aproximadamente 6 mil usuários entre militares da ativa, inativos e dependentes das três forças armadas que residem no município. A estimativa dos vereadores uruguaianenses é de que a transformação do hospital represente redução de leitos hospitalares, perda de recursos  mensais de cerca de R$ 1 milhão e o aumento da demanda pelos serviços de internação da Santa Casa de Caridade local.
 

Versão para impressão